em Dezembro 31, 2011
As nossas escolhas: os melhores álbuns de 2011
Continuamos então a nossa análise ao ano transacto, desta vez com os quinze álbuns favoritos da nossa redacção. Mais uma vez uma escolha complicada, especialmente nos lugares menos cimeiros. Felizmente chegamos a um acordo e aqui fica a lista, para vocês…
15. Friendly Fires – Pala
“O caminho deste novo álbum começou a ser traçado pelo single de 2009 “Kiss of Life” que, apesar de não ser incluido influenciou visivelmente o resto deste álbum. A sonoridade da banda não vestiu uma nova face, mas sofreu alterações: os ritmos tribais, os sintetizadores ao estilo de Ibiza e uma groove ainda mais dançante, são as mais facilmente notáveis, sendo este álbum conotado pelos media como a perfeita banda sonora para um dia de sol ardente, em que o mar ou piscina são os nossos maiores aliados. Alguns temas remetem ainda para um estilo equiparado a uma festa rave dos anos 80 ou 90.” Saber mais
14. Panda Bear – Tomboy
Noah Lennox é Panda Bear, fundador do colectivo Animal Collective. “Tomboy” é o seu quarto álbum a solo. Pouco havia para fazer que consagrasse ainda mais o trabalho e carreira de Lennox e após “Person Pitch”, de 2007, era difícil subir a parada. Ainda assim, este trabalho consta (tal como aqui) de várias listas de melhores do ano. Aqui, o psicadelismo é acompanhado de uma sensação mais pop. As canções entram facilmente no ouvido à primeira audição mas mantêm a sua composição extraterrestre. Como ele o faz? Muita gente gostaria de saber. Saber mais
13. Lykke Li – Wounded Rhymes
Todo o ano temos tratado ternamente Lykke Li como a nossa sueca favorita. E é fácil perceber porquê. A imagem está lá, o talento também, e personalidade não lhe falta. Se “Youth Novels” tinha sida uma estreia em toda a pompa e circunstância, o maior e melhor “Wounded Rhymes” vem mostrar a sua evolução como artista e deixar a sua marca no mapa. Mais um disco essencial. Saber mais
12. Gang Gang Dance – Eye Contact
“Os GGD são praticantes de uma sonoridade que consiste num alucinado híbrido de electrónica, instrumentos convencionais e percussão, resultando em algo muito próprio e distinto, parcialmente devido à inigualável contribuição vocal de Lizzi Bougatsos – uma Kate Bush dos tempos modernos – e à qual adicionam inúmeras influências que foram absorvendo ao longo do tempo e integrando naquilo que é o “seu” estilo. Neste novo disco esse modus operandi não se alterou. Nem devia.” Saber mais
11. AarabMuzik – Electronic Dream
Este “Electronic Dream” parece isso mesmo, saído dos nossos sonhos. Trance foleiro alterado até à exaustão, mesclado com frenéticos padrões de bateria, resultando em hinos do mais sofisticado hip-hop instrumental que alguma vez existiu. Um controverso mundo de samples, percussão e melodias, criado por um dos grandes talentos da música hip-hop actual, Abraham Orellana. As suas grandes capacidades à frente de uma drum machine (Akai MPC é a sua favorita) são no mínimo assustadoras, e isso transcreve-se nitidamente para este trabalho.
10. Zomby – Dedication
O misterioso Zomby lança assim o seguimento de “One Foot Ahead of the Other”, desta vez pela conceituada 4AD Records. E se os anteriores trabalhos revelavam a sua irreverência e a eficiência com que este produtor executa mesmo as mais simples ideias, “Dedication” comprova o seu talento com composições mais complexas e texturizadas. E mostra um lado mais emocional da sua música, em contraste nítido com “Where Were U in ’92?” de 2008.
9. Balam Acab – Wander/Wonder
“Balam Acab é muito mais que drag ou witch house e este “Wander/Wonder”, o álbum de estreia, vem comprovar isso mesmo. A busca pela escuridão e a cavernosidade tipicamente associadas a esses caminhos dá lugar à procura pela luz, à nítida admiração e constatação de beleza. Essa transição é aparente logo à partida, com a taciturna “Welcome” a explodir em pura felicidade.
Estas contradições e percepções, ainda que subjectivas, estão presentes na totalidade deste disco, como que um reflexo da própria vida. E talvez seja isso que o torna tão apelativo.” Saber mais
8. Shabazz Palaces – Black Up
Com uma inesperada passagem-relâmpago por Portugal para dois concertos brilhantes e intimistas (Porto e Lisboa) durante a sua digressão europeia de promoção a “Black Up”, os Shabazz Palaces confirmaram tudo aquilo que o seu álbum de estreia anunciara: uma sublime fusão de hip-hop avant-garde impregnado de folclore e com laivos de psicadelismo que primeiro se estranha mas que depois se entranha. E de que maneira! Em “Black Up” os Shabazz Palaces demonstraram que têm um pé bem assente no passado, outro no presente, mas que os seus olhos estão postos no futuro naquele que foi o disco mais desafiante que tivemos o privilégio de escutar em 2011. Saber mais
7. Thundercat – The Golden Age Of Apocalypse
“Golden Age of Apocalypse” é o título do soberbo debute em LP do super-baixista e fã de Dragonball Stephen Bruner, mais conhecido nos meandros da música por Thundercat. Essa estreia a solo do membro dos Suicidal Tendencies foi apadrinhada pela vanguardista editora Brainfeeder criada por Flying Lotus com quem, aliás, Bruner colaborou na faixa e single “MmmHmm” de “Cosmogramma” para além de “Pattern+Grid World”. Em retorno, a produção de “The Golden Age of Apocalypse“ ficou (e muito bem) a cargo de FlyLo. Com este álbum a Brainfeeder, mais uma vez, marca presença na nossa lista dos melhores do ano. Saber mais
6. Bon Iver – Bon Iver
Num ano em que alguns registos de estreia homónimos figuram no topo da nossa lista (vide James Blake e SBTRKT, por exemplo), Justin Vernon e a trupe dos Bon Iver foram também eles responsáveis pela edição de um extraordinário LP homónimo mas que, neste caso específico, não foi o de estreia. O sucessor de “For Emma, Forever Ago” de 2008 será indubitávelmente recordado nos anos vindouros como um dos melhores álbuns de 2011 uma vez que figurou na esmagadora maioria das escolhas de inúmeras publicações especializadas. Se só puderem escutar dez discos de 2011 façam por incluir “Bon Iver” nesse lote. Saber mais
5. Nicolas Jaar – Space Is Only Noise
“Space Is Only Noise” é a auspicioso debute de Nicolas Jaar em formato de longa-duração e o corolário de uma alucinante maturação como artista após se ter dado a conhecer em 2008 através de um punhado de singles e remisturas. Uma estreia, a todos os títulos, notável para um talento precoce com um futuro incrivelmente promissor. Ao ouvir “Space Is Only Noise” custa a acreditar que este é o trabalho de um rapaz com (somente) 21 anos. Audição absolutamente recomendada e essencial. Saber mais
4. Jamie XX & Gil Scott-Heron – We’re New Here
“Existe alguma margem de conexão entre um poeta, activista e músico americano sexagenário e um jovem produtor Londrino conhecido pela sua astronómica banda The XX? Existe. E a prova está aqui, o álbum de remisturas de “I’m New Here”, de Gil Scott-Heron, malogradamente falecido este ano (…)”. Não tentando rasgar completamente com a obra original, mas introduzindo uma nova visão da mesma, este álbum será uma das melhoras formas de conhecer (e homenagear) a obra de Gil Scott-Heron e de construir uma nova ponte para novos públicos e novas formas de entender a música como transversal e universal”. R.I.P Gil. Saber mais
3. SBTRKT – SBTRKT
Aaron Jerome é o nome verdadeiro do produtor londrino que se esconde por detrás da máscara de feiticeiro e da designação SBTRKT (lê-se “subtract”) cuja reputação explodiu este ano muito por culpa do seu álbum de estreia. De entre os inúmeros elogios às suas qualidades um ficou na nossa memória: “SBTRKT é o Timbaland do século XXI”. Despropositado ou não só no futuro se poderá comprovar, mas só essa comparação permite ter uma ideia do impacto que a sua música provocou. Saber mais
2. Rustie – Glass Swords
Tínhamos previsto este desfecho em Novembro e tal veio a confirmar-se: “Um dos mais esperados e também um dos mais surpreendentes lançamentos do ano é este “Glass Swords”, do glasgoniano produtor Rustie, que certamente marcará presença na nossa e noutras selecções de melhores do ano. (…) Como todo, “Glass Swords” é uma bomba. Fulminante. Efusivo. E corrosivo ao ponto de não deixar ninguém indiferente”. E foi mesmo na mouche! Saber mais
1. James Blake – James Blake
Já o vinhamos anunciando como a maior figura de 2011 e o resultado final só poderia ser este. Com o seu homónimo álbum de estreia, James Blake apresentou a bass music/pós-dubstep ao mainstream mas, diga-se, sem ter descurado a sua identidade ou baixado a fasquia. Com essa façanha James Blake ganhou muitos fãs mas também muitos detractores… Nós óbviamente incluimo-no no primeiro grupo. Por isso é que “James Blake” é, na nossa opinião, o álbum do ano. Sem espinhas. Saber mais
Para quem segue o Musicómetro talvez não haja grandes surpresas, o que comprova que, apesar de muitas vezes erráticos e aleatórios, o nossos instintos estão de boa saúde. Fechamos assim as portas ao ano de 2011 e preparamo-nos para um 2012 ainda melhor.
E por falar em fechar portas, não nos poderíamos despedir sem vos desejar a todos umas Boas Entradas e um Feliz Ano de 2012, com muita música!






