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Reportagem Sudoeste TMN 2010 – Parte 2

Continuamos então com a reportagem do Festival Sudoeste TMN 2010, que se realizou a semana passada…


7 de Agosto de 2010

Anunciado no início da semana o cancelamento do concerto de Tim & Companheiros de Aventura, todos os espectáculos do cartaz foram ligeiramente adiantados. Brett Dennen ficou responsável por abrir o palco principal neste quente e penúltimo dia do Sudoeste TMN 2010, com o line-up mais pop de todos. O cantor californiano muniu-se do seu folk para apresentar, aos poucos fãs que assistiam, o seu último álbum, “Hope for the Hopeless”.

Uns momentos depois, pouco antes da entrada de Sugababes no Palco TMN, era a altura da banda de Ed Macfarlane, Jack Savidge e Edd Gibson se estrear no nosso país, no palco secundário, e fazer jus à sua reputação como um dos projectos mais inovadores do ano passado. Se o seu único álbum de estúdio, o homónimo “Friendly Fires“, soa a fresco, deviam – e recomendamos vivamente – ver a actuação ao vivo destes jovens britânicos. Acompanhados também por um saxofonista e um trompetista, consagraram-se como a melhor actuação da tenda Planeta Sudoeste (e possivelmente de todo o festival), até este dia.
O show começou logo a abrir, com Ed a passear sobre o público, escasso (decorria simultaneamente a final da Supertaça Cândido de Oliveira) mas atento, alinhando em todas as brincadeiras do irrequieto frontman. Não faltaram os êxitos “Paris”, “Skeleton Boy” e “Kiss Of Life”, bem conseguidos através da electrónica e percussão que tanto os caracteriza. O final com “Ex Lover” teve um sabor amargo, quando a plateia pedia ainda mais, em grande ovação. Finalmente uma óptima surpresa!

Com um concerto tão estético que mais parecia retirado de um espectáculo da Broadway, Mika deixou a sua segunda marca em festivais portugueses. Após a sua presença no Super Bock Super Rock em 2008, pisava agora o solo alentejano, para a actuação mais esperada pelos cerca de 38 mil festivaleiros presentes nesta noite.
Claro está que, por trás de Michael Penniman, a extraordinária banda (com baterista feminina, o que é raro ver-se) e cantores de apoio foram mais que essenciais ao sucesso deste projecto na sua apresentação. Dono de um carisma inigualável, percorreu quilómetros no palco, aproveitando ao máximo toda a sua decoração e saltando do piano para o microfone com um enormíssimo à vontade.
A entrada a matar com “Relax, take it easy” dava o mote para um concerto muito animado, explorando extensa e intensivamente todo o reportório do cantor e autor britânico. O fecho com “We Are Golden”, “Grace Kelly” e ainda “Lollypop” deixou toda a gente em grande alvoroço.

E esse alvoroço pouca calmaria obteve. Com poucos minutos de intervalo, entravam em cena os sete elementos que compõem Bajofondo, um colectivo formado por artistas argentinos e uruguaios, que praticou o seu tango electrónico em grande performance artística. Sonoridades à la Gotan Project, mantiveram acordados por mais uma hora e pouco os que ainda teimavam em dançar. Pelas 3h da matina dezenas de festivaleiros invadiram o palco, e assim terminou mais um dia de festival.

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8 de Agosto de 2010

Era chegado o quarto e último dia de festival. A chuva fez uma pequena ameaça durante a noite, mas a mudança de temperatura que causou foi no sentido oposto, sendo que o dia esteve quase sempre enublado, tornando a noite na mais quente de todo o festival.

A noite começava cedo e com o calor que ainda se fazia sentir, sabia bem a sombra da tenda Planeta Sudoeste enquanto estava em palco Martina Topley-Bird e o seu ninja amestrado. Quem abdicou de mais umas horas de praia, não ficou arrependido.
Dona de uma figura e voz inconfundíveis, Martina saltou constantemente do sintetizador para o microfone, acompanhada de percussão a condizer, num concerto onde reinou o minimalismo e a simplicidade. Notou-se que todas as texturas das canções interpretadas eram criadas dando um grande foco na sua voz, claro está, o seu maior talento. O duo interpretou os álbuns “Quixotic” e “The Blue God”, terminando em grande com “Too Tough To Die”, apesar de alguns problemas técnicos.

Quem abriu o palco principal foram os Peixe:Avião. A banda de Braga goza do sucesso que teve o seu primeiro álbum “40.02” e trazia para apresentar “Madrugada”, o novo álbum, ainda por lançar. No entanto, num alinhamento de apenas 9 canções, não conseguiram encantar o escasso público que já se apresentava em frente ao Palco TMN. Muito hype e pouco valor? Esperemos que não.

Com o escuro da noite já instalado, o público recebia calorosamente o projecto Mondo Cane. O segundo projecto de Mike Patton (a par com Faith No More) apresentou-se em palco como já é costume. Uma orquestra vestida de preto, a cercar Patton no seu fato branco.
Como um exercício musical que transcende géneros e estereótipos, os Mondo Cane tomaram o Sudoeste de assalto. Uma voz avassaladora (e às vezes até projectada por um megafone) e música a remontar a uma Bolonha dos anos 50, entreteram uma vasta plateia, na mais surpreendente actuação do palco principal (talvez em paralelo com os Bajofondo).

E já que falamos de surpresas, o palco Planeta Sudoeste já tinha tido a sua dose, mas a maior ainda estava por vir. Saíam dos bastidores Beirut, o projecto do americano Zach Condon. Com mais cinco companheiros – piano, contrabaixo, acordeão, bateria e trompete – proporcionou a maior afluência de público do segundo palco, cuja tenda se encontrava a rebentar pelas costuras.
E as razões eram óbvias. Ninguém fica imune ao contágio que eles criam com a sua fusão de folk e música dos Balcãs. Tudo dança e tudo canta. Do principio ao fim!

Talvez devido ao que se passava no palco secundário, ou por terem estado em Portugal (Porto e Lisboa) muito recentemente, os Air começaram com meia “casa” e em slow-motion. A sua música poderá não ser a mais empolgante ao vivo, mas os franceses Nicolas Godin e Jean-Benoit Dunckel têm uma reputação séria para manter e facilmente se nota porquê. Tecnicamente perfeitos, o duo, aliado a um terceiro elemento responsável pela percussão, executaram infalivelmente “Love 2”, o mais recente álbum do projecto, terminando com os clássicos “Kelly Watch the Stars” e “Sexy Boy”. No entanto, ficou em falta mais empatia com o público e, quando esta começou a aparecer, já o espectáculo tinha chegado ao fim. Curto e um pouco aquém das expectativas.

Mas empatia não faltou quando chegou a vez de Massive Attack. Os bristolianos mostraram-se em palco com a sua formação habitual, fazendo-se acompanhar dos ilustres (e algo habituais) convidados Horace Andy, Deborah Miller e Martina Topley-Bird, que tinha prometido voltar, após o seu concerto no início da noite.
Em frente deles, gente até perder de vista, num ambiente harmonioso mas tenso q.b., ou não falássemos do trip-hop de Robert Del Naja e Grant Marshall. Por trás deles um enorme painel de LED, que mostrava animações de ficarem gravadas na mente, do tão reais e conscientes que eram, claro está, sempre dentro da crítica político-social.
Pelo meio dos imponentes e muito bem recebidos clássicos como “Safe From Harm” (cantado por Miller), “Teardrop” (por Topley-Bird) ou “Angel” (Horace Andy) houve ainda tempo para um arranjo inédito e algum improviso. O bem-vindo encore contou ainda com a dançante “Unfinished Sympathy” e a derradeira “Atlas Air”.
No entanto, ficou um aroma agridoce em todos os que já viram Massive Attack ao vivo. Faltaram “Karmacoma”, “Man Next Door” ou “Paradise Circus”, mas não se pode ter tudo. Uma performance imaculada – como já é habitual – agradando os mais de 40 mil festivaleiros presentes, na noite mais concorrida de todo o Festival Sudoeste TMN 2010.

Mas a noite ainda não tinha acabado e para aproveitar ao máximo os últimos momentos que o festival oferecia, foram poucas as pessoas que deixaram o recinto. O francês David Guetta tomou conta do palco principal e por lá ficou noite adentro.
A sua música de dança de fácil audição, muitas luzes, animações de vídeo a preceito e também dois “robôs” lançando fumo e foguetes para o ar levaram ao êxtase a imensa multidão que, no meio de uma nuvem de poeira, se abanou durante horas ao som de êxitos como “Memories”, “Sexy Chick” e “One Love”.

Celebrava-se assim mais um Festival Sudoeste TMN. Para o ano há mais com datas já definidas, entre 3 e 7 de Agosto de 2011. Até já!

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Reportagem feita em colaboração com FestivaisdeVerao.com.

2 pessoas opinaram sobre "Reportagem Sudoeste TMN 2010 – Parte 2"

    Eu nem sequer conhecia este site, mas tornei-me fã por ver que é dos poucos (o primeiro que vejo) a ter fotos do melhor concerto do Sudoeste, Friendly Fires ;D

  • Olá Pedro. Obrigado pela preferência! Volta sempre e convida os teus amigos. :D

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