em Julho 11, 2010 0 comentários
The Black Keys – Brothers
Talvez por estar ligado às artes visuais, antes de ouvir um álbum, atento sempre na sua capa. Primeiro porque gosto de as apreciar graficamente e depois porque, muitas vezes, contêm pistas para o que se encontra no seu conteúdo.
Este caso não foi excepção e dele podem se tirar algumas ilações: primeiro a simplicidade da composição (o que nem sempre significa que foi fácil chegar a ela…), com apenas um fundo preto e letras brancas e vermelhas; depois o conteúdo do texto: “Este é um álbum dos Black Keys. O nome deste álbum é Brothers”. Simples, directo, eficaz.
O nome do álbum ser “Brothers” é outra das coisas que carrega um significado especial. É um rótulo mais do que adequado para caracterizar a relação entre Patrick Carney e Dan Auerbach, camaradas de longa data, desde que começaram com “The Big Come Up”, em 2002.
Na altura, e se calhar ainda hoje, houve quem os rotulasse de duo à la White Stripes, com ecos de Led Zeppelin mas o que é certo é que as comparações, apesar de lisonjeantes, são também redutoras, pois os Black Keys são muito mais do que um pastiche das suas influências.
Contudo, não podemos estar à espera de ver algo revolucionário ou de grande mudança sónica em “Brothers”. Os Black Keys já andam nestas lides há muito tempo e, portanto, já têm uma marca muito distinta e que se torna impossível de abandonar. Assim como não se pode admitir a estagnação, também não se pode exigir a repentina reinvenção.
Ainda assim, e com a colaboração de Danger Mouse na produção, os Black Keys conseguiram atirar para a mistura alguns elementos que, no meio da negridão geral do álbum, o polvilham com alguma cor e se fazem distinguir discretamente.
Voltemos à capa. Há um elemento que, apesar de ter um carácter discreto e normalmente ser percebido como background, destaca-se e assume o papel na caracterização deste disco: a cor preta. De facto, muito do que se pode encontrar em “Brothers” tem paralelismo com esta cor. Não quero dizer com isto que a música é soturna, arrastada e sem vida; refiro-me mais ao seu peso, ao ritmo forte e melodias assombradas pelo blues fantasmagórico de Robert Johnson e Howlin’ Wolf, da electricidade de Muddy Waters e do poder da soul e do funk da Motown Records. Todas estas influências muito bem compiladas e refinadas num excelente disco.
O único ponto onde, do meu ponto de vista, os Black Keys podem ter estado menos bem foi na extensão da duração do álbum. Quinze temas parece-me um pouco a mais do que a dose recomendada, pois aquilo que é demais às vezes também pode levar à erosão.
Não obstante, não restam dúvidas: este é um dos melhores álbuns dos Black Keys.
Alinhamento:
- Everlasting Light
- Next Girl
- Tighten Up
- Howlin’ For You
- She’s Long Gone
- Black Mud
- The Only One
- Too Afraid To Love You
- Ten Cent Pistol
- Sinister Kid
- The Go Getter
- I’m Not The One
- Unknown Brother
- Never Gona Give You Up
- These Days






