em Julho 24, 2010 2 comentários
Reportagem Super Bock Super Rock 2010
Como já devem saber muito bem, realizou-se no fim-de-semana passado, dias 16, 17 e 18, o festival Super Bock Super Rock, que, depois de mudar de casa várias vezes, passando inclusive por estádios em diferentes cidades (o que não resultou muito bem…), veio este ano parar ao Meco.
Com o Optimus Alive pelas costas e Paredes de Coura em vista, é muito provável que, no meio destes dois gigantes, o SBSR ficasse um pouco encoberto pelas suas sombras. No entanto, não era por isso que este se ia dar por vencido, pois tinha um grande trunfo na manga: um cartaz muito sólido, de grande qualidade e que se desdobrava em clássicos, novas sensações da música mais contemporânea e electrónica.
16 de Julho (1º dia)
São 17h30, o sol está em força mas só agora começam as portas a abrir e a deixar entrar os mais entusiastas. Nas filas, começa-se a criar bastante movimento, quase todos para trocarem os seus passes de 3 dias pelas respectivas pulseiras. Nos estacionamentos, começam a lotar os lugares mais próximos do campismo. Já este último segue o mesmo exemplo e também nele começam a esgotar os lugares à sombra.
Por volta da hora do jantar e com os primeiros concertos a começar no palco EDP, começa a ser um grande desafio atravessar aquilo que agora se transforma num labirinto de tendas. Este foi um dos pontos fracos deste festival: poucas condições no campismo e pouco espaço. Mas festivais são assim mesmo e quem tem amor à camisola faz o sacrifício.
Depois de tenda montada e fome enganada, dirigi-me ao Palco EDP, onde me iria manter o resto da noite, pois no Palco Super Bock a noite era mais dedicada à pop, com bandas como Keane e Pet Shop Boys (perdoem-me os fãs, mas não é o meu género…). Ainda consegui apanhar meio concerto de St. Vincent que, apesar de muitos considerarem mais apropriado para um ambiente mais calmo e intimista, conseguiu pôr a plateia bem composta a bater o pé ao som das suas melodias serpenteantes.
Ainda com o sol a gastar as suas últimas forças, seguia um dos concertos que mais esperava deste festival: Beach House. Tal como em St. Vincent, havia algum receio de que o seu registo fosse o mais apropriado para um ambiente aberto e mais confuso como é o de um festival, mas também eles conseguiram ultrapassar com mestria esse obstáculo e criar um acontecimento único, com uma Victoria desinibida e captivante e um Alex Scally electrizante, sempre certo.
De seguida, ainda no mesmo palco, enquanto os Temper Trap oscilavam entre o rock rasgado e melodias épicas em coisa de minutos, eu aproveitava para descansar as pernas para o prato principal da noite: os Grizzly Bear. E que dizer mais deles? Chegaram, tocaram, conquistaram e ainda tiveram tempo para convidar Victoria Legrand dos Beach House para colaborar em dois temas (um deles a conhecidíssima “Two Weeks”). Acabava-se a noite em grande.
17 de Julho (2º dia)
Durante este dia manteve-se um pouco aquilo que se verificou no anterior: ainda muitos campistas a lutarem por um pouco de sossego e de privacidade (sem grandes resultados, claro) e grandes expectativas para a noite que se avizinhava.
Nesta noite contrariei o que fiz na passada e dirigi-me primeiro para o palco principal, para ver Julian Casablancas – no palco EDP começava, com diferença de meia hora, Rita Red Shoes, de quem ainda apanhei algumas músicas, muito bem interpretadas. Conhecendo Casablancas dos icónicos Strokes e tendo em conta o bom álbum a solo que lançou no ano passado, esperava um concerto de alguma qualidade. No entanto, entre músicas da sua banda mais conhecida e êxitos recentes a solo, ficou a sensação de que algo se perdeu e de que merecíamos mais. Cumpriu, mas não satisfez.
De seguida, quando os Hot Chip se preparavam para aparecer, decidi espreitar o palco EDP, ocupado agora por Patrick Watson, do qual apanhei apenas 2 músicas (mas de grande qualidade), e que muita gente considerou o melhor concerto da noite. Infelizmente tive de abandonar prematuramente, pois entretanto iam entrar os grandes protagonistas da noite: os Vampire Weekend. Sempre muito seguros de si mesmos, bem dispostos e faladores, iam-nos atirando com sucessos incontornáveis como “A-Punk”, “Cape Cod Kwassa Kwassa”, “Cousins” ou “Horchata”. Sem dúvida o ponto alto da noite.
18 de Julho (3º dia)
Neste dia, um dos maiores problemas deste festival – o trânsito resultante dos acessos insuficientes – tomou proporções avassaladoras. Razão: Prince.
Apesar de neste dia o campismo ter reduzido a sua população consideravelmente, a quantidade de pessoas que acorreram em massa para verem exclusivamente Prince foi mais do que suficiente para pôr em estado de caos uma estrada que, já num dia normal, acusava as suas limitações. O resultado foram 2 horas passadas numa fila que parecia interminável e que me conseguiu roubar a oportunidade de ver 3 concertos dos quais esperava usufruir: The Morning Benders, Wild Beasts e Spoon.
Ainda assim, talvez por golpe divino, consegui chegar escassos minutos antes do concerto que eu mais ansiava: The National. Tomaram com grande humildade e segurança todo o protagonismo que têm vivido ultimamente (muito por culpa do crescendo de qualidade da sua obra), agradeceram ao povo português por terem gostado da sua música quando ainda muito pouca gente os conhecia e deram um dos melhores concertos de todo o festival. Apesar de muita gente se encontrar em frente ao palco apenas para esperar que Prince tomasse as rédeas, os The National deram a volta à situação e, principalmente Matt Berninger, converteu o ambiente envolvente numa energia fulgorosa que exalou claramente de todas as músicas que interpretaram.
Terminado este concerto, e como não sou grande fã de Prince, fui para o Palco EDP para ver, para mim, o derradeiro concerto do festival: John Butler Trio. Os australianos trouxeram com eles uma boa disposição e atmosfera muito empolgantes. Mesmo os que os ouviam pela primeira vez não ficaram indiferentes e viram-se obrigados a deixar o queixo cair um pouco quando Butler mergulhou numa “Oceans” soberbamente tocada, com todo o virtuosismo que lhe é habitual.
Terminava assim um festival que conseguiu oferecer uma alternativa de grande qualidade e acima de tudo um evento que reuniu muita da melhor música que se faz actualmente, em 2 palcos sempre muito atractivos. É certo que poderá haver muitas melhorias a reclaramar para edições futuras mas sem dúvida que este Super Bock Super Rock foi, este ano, um dos grandes marcos no panorama musical do nosso país.
Aqui fica a playlist com os vídeos do evento, gentilmente cedida por eclectismomusical:







Quero muito ir ao Super Rock esse ano de 2011.
mas sou do brasil, então ainda não sei o que farei.
sabes me dizer os preços de tudo lá dentro?
agua, comida?
obrigada,
Victória Silveira.
Olá, Victória.
Não é fácil saber essas coisas de antemão, mas normalmente uma garrafa de água custa à volta de 2€ e uma refeição entre 5 e 10€. Mas é um investimento que vale a pena, dada a qualidade do cartaz do festival.