em Julho 17, 2010 0 comentários
Reportagem Optimus Alive! 2010 – 3º Dia
Atrasada mas não esquecida, aqui vai a reportagem do último dia do Optimus Alive! 2010, dia 10 de Julho.
Chegava então o dia esperado por tantos. Com os bilhetes completamente esgotados para este último dia de Alive!, muito devido ao concerto dos Pearl Jam, havia o típico mercado negro de bilhetes à entrada. Tudo isso contribuindo para a noite mais concorrida do festival, com números a ultrapassar os cinquenta mil. E isso fazia-se notar.
Acabado de entrar no recinto e já o palco principal rugia a alto e bom som, com os Gogol Bordello a actuar. A banda nova-iorquina trazia “Trans-Continental Hustle” na bagagem e a resposta do público foi muito positiva, mesmo para temas mais recentes. “Start Wearing Purple” foi, muito obviamente, a favorita.
Avançámos então para o Palco Super Bock, onde uma larga plateia já esperava ansiosamente pela entrada de Peaches. E que entrada! Com uma vestimenta que parecia tirada de um jogo de vídeo remontante a uma das guerras do golfo, Merrill Beth Nisker apareceu do nada, equilibrada no bombo da bateria. Durante todo o concerto trocou de roupa uma data de vezes, manuseou lasers e sabres de luz e o público ainda teve direito a crowd surfing e até crowd walking, em que a artista caminhou uns metros apoiada nas mãos dos seus fãs das primeiras filas. Um espectáculo muito físico e sexual que contou com grande parte dos seus êxitos, como “Shake Your Dix” ou “Fuck The Pain Away”, mas também canções do seu mais recente álbum como por exemplo “Billionaire”, “Talk To Me” ou “Show Stopper”.
Era então a altura por que toda a gente ansiava. Estariam à volta de quarenta mil pessoas amontoadas em frente ao palco principal à espera da entrada de Eddie Vedder e a sua trupe, os Pearl Jam. Mas com o anúncio de que este seria um dos últimos concertos da banda por tempo indefinido e sendo o último concerto da tour, não era para menos. No entanto, talvez por não ser um ávido fã da banda ou por não estar nas primeiras filas do palco, o concerto pareceu-me um pouco lamechas de mais. É uma despedida? Tudo bem, mas ponham o público a mexer!
À parte disso foi um espectáculo com uma boa recepção, com quase todas as músicas cantadas em coro pelos milhares de fãs que circundavam o Palco Optimus e a saírem ovações para Vedder e McCready. De realçar também a indumentária de Boom Gaspar, o teclista da banda, que agradou bastante o público, trazendo uma camisola da selecção nacional vestida. Claro está que os grandes momentos do show e da noite foram “Daughter”, “Even Flow” e “Better Man”. Uma noite que será relembrada por muita gente com saudosismo, ao longo dos próximos anos.
Uma óptima surpresa teve quem abdicou de uns momentos do concerto dos Pearl Jam para pular até ao palco secundário e testemunhar o que, para mim, foi a apoteose da música electrónica ao vivo no Optimus Alive! 10. Os londrinos Simian Mobile Disco, Mr. James Ford e Mr. James Shaw, empacotaram as suas máquinas e trouxeram para Oeiras, pela primeira ver em Portugal no formato live, “Attack, Decay, Sustain, Release” e “Temporary Pleasure”. O público era escasso, mas assertivo e determinado. De braços no ar, ninguém se manteve quieto durante os cerca de sessenta minutos de duração do espectáculo. Totalmente não recomendado para epilépticos ou cardíacos. “Hustler” foi a composição mais celebrada.
LCD Soundsystem eram, na minha opinião, os grandes cabeças de cartaz desta noite. Também no fim da carreira como colectivo, uma vez que o criador e mentor do projecto, James Murphy, tem outros planos para os próximos tempos, a banda nova-iorquina trazia até nós o novíssimo “This Is Happening”.
Felizmente, pela altura do ínicio do concerto, já mais de metade da multidão tinha dispersado, deixando espaço para respirar e mais importante ainda, espaço para dançar. E desde o ínicio que Murphy e o seu entourage contribuíram para isso mesmo, uma dance party. “Us vs. Them”, seguida de “Drunk Girls”, “Pow Pow” e a famigerada “Daft Punk Is Playing At My House” deram o mote para um concerto muito animado, que pecou apenas pela curta longevidade. Que forma de encerrar o Palco Optimus!
Mas o festival ainda não estava terminado. Boys Noize e o seu ensurdecedor electro house já se faziam ouvir no Palco Super Bock. Festa assegurada, pela noite dentro.
Para fechar com chave de ouro, os cómicos Neto e Falâncio apoiados pelos seus Homens da Luta, que se fizeram passear pelo festival durante os três dias, tinham agora um palco só para eles. Diversão e humor de cariz político, com alguma música pelo meio, ao fechar dos portões de mais um Optimus Alive!. Kirikirikirkirki!
Fiquem com as fotos (por Ruben Viegas e Ricardo Costa) e os vídeos do dia:






