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Reportagem Primavera Sound 10 – 1º Dia

Quinta-feira, 27 de Maio. Estreia do festival Primavera Sound 10 no Parc Del Fòrum em Barcelona e o Musicómetro, como tinha sido previamente anunciado, esteve presente, num dia que ficou marcado pelas abruptas oscilações meteorológicas mas que foram contrabalançadas por excelentes actuações que só vieram comprovar a qualidade das bandas em cartaz e também a reputação do próprio evento. O escriba de serviço assistiu aos concertos de The Fall, Broken Social Scene, Fuck Buttons, Pavement, Wild Beasts, Sleigh Bells, The XX e Delorean. Aqui ficam os destaques:

The XX – Palco Ray-Ban: Iniciaram a sua actuação à hora prevista, com o pôr-do-sol no horizonte e o Mediterrâneo como pano de fundo, e logo de forma arrebatadora com “Intro” seguida de “Crystalised” e “Islands” tocadas de enfiada e sempre em crescendo. Com a chuva já a cair ouvimos “VCR”, “Do You Mind” (uma versão de um original de Kyla), “Basic Space”, “Shelter” assim como as restantes faixas do único álbum (XX) por eles lançado, terminando o concerto após cinquenta minutos de forma brilhante com a sedutora “Infinity” e adeus da banda ao público com a saída do palco ao som da soberba remistura de sua autoria para o tema “You’ve Got The Love” de Florence + The Machine que, recorde-se, também actuará no Primavera Sound 10 no próximo sábado, dia 29. Fica na retina o excelente jogo de luzes, o cuidado cénico e a prestação em palco sem mácula dos (agora) três elementos da banda. Ninguém diria que são novatos nestas andanças já que impera uma confiança e um sentido de profissionalismo a toda a prova e que tanto funciona como garantia de um bom espectáculo como também, para os seus detractores, pode ser confundido com calculismo. O futuro encarregar-se-á de confirmar a opinião de uns e de desmentir a de outros.

Wild Beasts – Palco Pitchfork: “We like to dance” anunciava Hayden Thorpe, o principal vocalista dos Wild Beasts e dono de um maravilhoso falsete, como que dando o mote para o espectáculo que se seguiria. E dançou-se muito ao som de hinos como “We Still Got The Taste Dancin’ On Our Tongues”, para além de grandes temas como “The Devil’s Crayon” (com Tom Fleming nas vocalizações) e “All The King’s Men” ou no final apoteótico com o clássico moderno “Hooting & Howling’” numa escolha de alinhamento que percorreu os dois álbuns de originais da banda (“Limbo, Panto” e “Two Dancers”). É notável a forma como são impecavelmente interpretadas as canções pelos 4 elementos do grupo, para além da voz e dicção únicas de Hayden Thorpe, numa actuação sem espinhas e que cativou todos aqueles que tiveram oportunidade de assistir. Assinalável ainda a extraordinária capacidade de comunicação entre os Wild Beasts e o público o que gerou uma forte empatia entre quem assistia e quem estava em cima do palco. Uma autêntica festa.

Sleigh Bells – Palco Pitchfork: Com um álbum acabado de lançar na bagagem (“Treats”) e muito hype acerca das suas performances, esta era uma oportunidade rara e imperdível de ver este duo actuar ao vivo. Ora podemos adiantar que a actuação (com uma duração de somente trinta minutos!) não só confirmou como até excedeu as nossas expectativas! É que mesmo sabendo de antemão que o guitarrista e programador Derek Miller (ex-Poison The Well) e a vocalista Alexis Krauss eram verdadeiros animais de palco e que a música por eles criada é interpretada de forma extremamente crua, nada poderia preparar-nos para aquilo a que assistimos. Uma actuação avassaladora, ruidosa e pungente em que temas como “Crown On The Ground”, “Tell ‘Em”, “Infinity Guitars” ou “A/B Machines” foram tocados de seguida e sem qualquer pausa à boa maneira punk. Em suma, um autêntico murro no estômago para os mais desprevenidos. Apesar da curta duração do concerto houve direito a um sensual encore com Alexis, um sex-symbol em potência, solitária em palco interpretando “Rill Rill”. Na opinião do escriba, este foi o melhor concerto da noite.

DeLorean – Palco Pitchfork: A jogarem em casa, os espanhóis DeLorean confirmaram em quarenta e cinco minutos de actuação tudo aquilo que de positivo se tem escrito acerca da banda. Depois de um inicio de carreira em que se assumiam como uma banda rock sem concessões os DeLorean são agora praticantes de uma sonoridade indie pop/rock dançável procurando levar o som dos instrumentos convencionais como as guitarras e a bateria até às pistas de dança. Temas como “Deli”, “Seasun” ou o excelente single “Stay Close” auguram à banda um futuro risonho e foram altamente celebrados pelo público que às 3h da manhã ainda enchia o recinto. Curiosamente (ou nem por isso) foi a Pitchfork, patrocinadora do palco onde actuaram, que considerou o novo álbum dos DeLorean como um dos melhores deste ano e escolheu “Stay Close” como uma das canções do ano. Na mouche.

E aqui estão algumas fotos (por Inma Varandela e Dani Canto) das actuações da noite, nomeadamente Pavement e The XX:

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Continuem atentos ao Musicómetro, através do site, Facebook e Twitter, para mais novidades, informações e destaques sobre o segundo dia do festival.

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