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Nostalgias: Dilla, soulful genious

Uma das razões porque gostamos tanto de música é o seu poder intimista e psicológico que cria com as pessoas. Dizem ser a mais transversal das formas artísticas. Sabemos que esta comunica connosco, nos entende, partilha connosco dor, sofrimento, amor e alegria. Um poder universal, transcendente, mágico.

É esta magia que J Dilla (James Yancey, também conhecido por Jay Dee) trouxe à música. Incorporando a musicalidade da sua cidade natal, Detroit, com a preciosa Motown Records, editora fundamental da soul music, Jay Dee criou uma sonoridade emocional, introspectiva, reinventando o soul e dando-lhe a urbanidade do fim dos anos 90.

Com os Slum Village iniciou o seu percurso, criando um dos álbuns mais revisitados da cultura hip hop norte-americana – “Fantastic vol.1″. Este chegou aos ouvidos de nomes como Q-Tip (mais tarde Dilla tornar-se-ia num dos colaboradores e produtores do seu grupo, A Tribe Called Quest), Busta Rhymes, Common (um dos seus melhores amigos), com quem criou o álbum Life Water Chocolate, Questlove, baterista e produtor da banda The Roots, que se nomeou como o fã número um de James.

Produtor multifacetado (tocava quase todos os instrumentos), mente brilhante e genial, solitário, chegou a produzir para Janet Jackson, mas o seu caminho não seria este. Preferiu o isolamento criativo ao sucesso global. Escolheu trabalhar num ambiente mais experimental com a editora indie de L.A., a Stonesthrow, onde criou álbuns fundamentais como “Champion Sound”, com Madlib, e pouco antes de morrer,”Donuts”, em 2006. Nesta última fase exacerba a sua criatividade ao ponto de samplar e buscar referências tanto ao afro-beat de Tony Allen como ao rock psicadélico dos anos 70.

“Donuts” é um dos mais brilhantes álbuns de hip-hop experimental alguma vez criados. Sem preocupações e restrições, Dilla proporcionou-nos momentos reflexivos, intemporais e complexos, cheios de mensagens e códigos que o produtor, na fase final da vida, quis demonstrar ao mundo.

Jay Dee é, sem dúvida, o produtor de referência para os novos produtores em destaque no momento: desde, o também produtor e mc de Detroit, Black Milk a Flying Lotus. Nomes como Kanye West a Pharrel já prestaram a sua verdadeira admiração pelo trabalho de Dilla.

Falar de Dilla é falar de Detroit, é respirar a soul dos anos 60; é ouvir “The Light” de Common e sorrir; é ouvir “Didn’t cha know” de Erykah Badu e meditar; é conheçer Martha Reeves, the Supremes ou Stevie Wonder. É falar da nu-soul. É saber o que significa reppin’ the D.

Obrigado Dilla!

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