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The Strange Boys – Be Brave

Comecemos pelo início: o nome. Strange Boys porquê? Só eles realmente podem explicar com exactidão, mas isso não nos impede de especular. A meu ver, há uma explicação muito simples e óbvia; basta ouvir uma música de qualquer um dos álbuns deles para nos apercebermos rapidamente que são exactamente isso, uns rapazes muito estranhos. Comparando-os com o mundo e o ambiente musical que os rodeia, parece-me adequado. Isto porque, hoje em dia, mais do que nunca, é muito difícil encontrar uma banda que demonstre algum interesse por este tipo de som, quanto mais dedicar-se totalmente a ele.

Pegando agora apenas na segunda palavra do nome e considerando as características presentes na sua música, torna-se evidente e compreensível que tenham usado a palavra boys para se descreverem. A energia, a atitude care-free, a teenage angst (desculpem o abuso de estrangeirismos…), são tudo elementos muito próprios de rapazes a lidar com a adolescência (no caso deles, a pós-adolescência). Mas é aqui que os Strange Boys se tornam num paradoxo interessante: se por um lado incorporam tudo isto e se assumem como uns adolescentes estranhos e mal ajustados, por outro usam essas características para mascarar uma faceta mais séria e comprometida com um conjunto de valores muito bem definidos.

Embora nos dias que correm, com a Internet e todas as suas facilidades, ter uma banda, gravar um disco e correr o país e o mundo a dar uma boa quantidade de concertos não seja tão difícil de conseguir como era há uns anos atrás, ainda assim considero a existência dos Strange Boys arriscada. Arriscada não no sentido de que corriam o risco de a sua música não ser suficientemente boa ou de não terem fãs (porque esse risco está sempre presente), mas exactamente pelo oposto. Passo a explicar…
No panorama musical em que vivemos actualmente, mesmo com o crescimento exponencial da cultura Indie e até da sua mistura com o mainstream, acho improvável (e ao mesmo tempo delicioso) o sucesso crescente desta banda, ainda que moderado. Isto porque, como já ouvi de muitas bocas, a morte do Rock e da sua força e originalidade primordial, está há muito anunciada, decretada e de certidão de óbito assinada. Claro que sempre recusei essa ideia, tal como um homem com várias décadas vividas recusa aceitar que está velho demais para fazer seja o que for, mas quando uma ideia é repetida tantas vezes por tantas pessoas, é difícil não começar a ponderar a hipótese de isso realmente ser verdade.

Felizmente, sempre que essa dúvida se tenta impor, eis que surge um argumento forte que a deita por terra. E foi exactamente isso que os Strange Boys fizeram. Primeiro com “The Strange Boys And The Girls Club”, agora com “Be Brave”, este bando de rapazinhos estranhos vão se esgueirando lenta e sorrateiramente por entre todo o ruído da paisagem e erguendo o pescoço acima da multidão. No entanto, não esperem um chamariz de cores berrantes, com setas feitas de néon e sinais a dizer “Hey!! Olhem para nós!!”. Eles estão lá, fazem barulho, têm uma presença forte, mas é preciso ir ao seu encontro, é preciso procurá-los e, acima de tudo, querer encontrá-los.

Marcando já existência desde 2004, ao olhar para a discografia dos Strange Boys e ao reparar que “Be Brave” é apenas o segundo disco de longa duração, precedido de “The Strange Boys And Girls Club” editado em 2009, é natural que desperte alguma surpresa. Dois álbuns em dois anos, numa banda que já existia há mais cinco, antes da sua estreia em estúdio, é realmente estranho. No entanto, existe uma explicação para tal acontecer: durante esses anos fizeram parte de digressões com artistas como Mighty Hannibal, Roky Erickson, dos 13th Floor Elevators, Mika Miko, Daniel Johnston, Black Lips, Jay Reatard ou Julian Casablancas, dos Strokes. Como se pode imaginar, não estiveram propriamente inertes.

“Be Brave” é então fácil de ser catalogado como um sucessor mais tímido de uma estreia fulgurante, o que claramente é um erro. Que é mais pausado, mais introspectivo, é verdade. No entanto, isso não é sinónimo de dormência ou preguiça.
Aquilo que se ouviu no primeiro álbum continua presente e estes são os mesmos Strange Boys que se ouviu no ano passado, disso não há dúvida. Contudo, a energia que lhes é particular está mais contida, mais condensada e mais canalizada. Isto muito por culpa (entenda-se mérito) de Ryan Sambol, vocalista e guitarrista, que conseguiu amadurecer com inteligência a crueza das suas composições em tão pouco tempo.
Uns rapazes estranhos que, em vez de se misturarem com o resto do mundo, estão a criar o seu espaço nele.

Alinhamento:

  1. I See
  2. A Walk On The Beach
  3. Be Brave
  4. Friday In Paris
  5. Between Us
  6. Da Da
  7. Night Might
  8. Dare I Say
  9. Laugh At Sex, Not Her
  10. All You Can Hide Inside
  11. The Unsent Letter
  12. You Can’t Only Love When You Want To

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