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Beach House – Teen Dream

Em 2006, com o seu álbum de estreia, os Beach House encontravam-se numa situação que é apenas constatável em poucas bandas: tinham alcançado logo à partida um som bem definido, de características muito próprias e ímpares. Porém, isto revela-se quase sempre uma lâmina de dois gumes, pois tanto pode ser uma marca de originalidade e de grande visão artística, como pode ser uma marca permanente que os liga a um determinado género ou estilo e que, consequentemente, se irá tornar repetitivo.
No segundo álbum, Devotion, os Beach House respondiam da melhor forma possível, com um disco brilhante, que caiu no gosto tanto dos seus fãs como da crítica, cimentando assim a sua posição criada com o primeiro álbum e limpando a dúvida se seria possível atingir consistência naquela que é a sempre difícil segunda aventura discográfica.
Ora, o que é certo é que os Beach House lançam agora o seu terceiro álbum de longa duração num espaço de quatro anos, mas as questões continuam: será que depois de ouvirmos o primeiro álbum já não tínhamos ficado vacinados para sempre, ou será que vale mesmo a pena continuar a apreciar a obra completa?

Olhando para o nome do álbum, após tê-lo ouvido várias vezes, reconheço que faz todo o sentido do mundo; Teen Dream é uma sinopse perfeita do que se pode encontrar no interior e serve de núcleo para todas as músicas. Isto porque todas elas, cada uma à sua maneira, são banhadas por uma inocência e romantismo puros, típicos da adolescência, e pela natureza sonhadora dessa fase da vida. Portanto, ou os Beach House conseguiram conservar essa natureza até aos tempos de hoje, ou são excelentes fingidores (felizmente tudo indica que seja a primeira…).

Uma das características que admiro nesta banda, partilhada com outras como The Kills, White Stripes ou Flat Duo Jets, é a capacidade de, apesar de serem apenas dois elementos utilizando 2/3 instrumentos, conseguem criar um som bem constituído, sem “buracos”, bem sustentado.
O segredo para isto acontecer certamente reside na química existente entre Victoria Legrand e Alex Scally, os dois elementos que formam os Beach House. Entre a voz e o teclado da primeira e a guitarra do segundo existe um fio condutor que, apesar de não ser óbvio à primeira vista, está bem presente, garantindo que a música que daí resulta seja o fruto da paixão, dedicação e talento de ambos. Tal como na teoria de Gestalt se afirma que o todo é mais do que a soma das partes, também neste caso se pode dizer que os Beach House são algo mais do que a soma de Victoria com Alex.
Apesar de ser um álbum claramente pop, pintalgado com cor e vivacidade, Teen Dream não deixa de incorporar uma certa nostalgia da já mencionada adolescência e uma atmosfera um pouco nublada, com um toque triste. No entanto, são esses mesmos aspectos que o tornam tão belo quanto emocional.
Não é pouco frequente também verem-se associados à personalidade e à voz de Victoria adjectivos como “onírica”, “etérea” ou “misteriosa”. Na verdade, se escutarmos com atenção, não é assim tão frágil e delicada quanto parece, mostrando até algumas vezes uma faceta mais poderosa e profunda do que angelical.

Em suma, com Teen Dream, os Beach House não só conseguiram ultrapassar o obstáculo mental que é manterem-se frescos ao mesmo tempo que se mantêm consistentes, como até se superaram. Se Beach House (o disco) era a revelação e Devotion a confirmação, então Teen Dream só pode ser a consagração (sem querer com isto de alguma forma condená-los ou limitá-los). Se depois de este álbum ainda restarem dúvidas da qualidade desta banda, então algo está muito errado…

Alinhamento:

  1. Zebra
  2. Silver Soul
  3. Norway
  4. Walk in the Park
  5. Used to Be
  6. Lover of Mine
  7. Better Times
  8. 10 Mile Stereo
  9. Real Love
  10. Take Care

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