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The Horrors – Primary Colours

Os The Horrors são actualmente uma das coqueluches da música britânica, estatuto plenamente justificado pelo lançamento do mais recente álbum “Primary Colours”, editado pela reputada XL Recordings (Vampire Weekend, Dizzee Rascal, M.I.A., ou Radiohead), e nomeado para o importante Mercury Prize de 2009.

Formada em Londres em meados de 2005, a banda cedo adoptou um estilo retro, derivativo do goth-punk celebrizado pelos The Cramps, quer a nível sonoro quer a nível estético (muitas vezes erroneamente classificado como emo-rock), mas que inicialmente foi recebido com alguma indiferença crítica e popular. Não é de espantar portanto que “Strange House” o primeiro disco, lançado em 2007 , e que reunia material dos singles e EP’s previamente editados, pouco se tenha destacado na época do apogeu do revivalismo rock onde proliferavam bandas como The Strokes, Franz Ferdinand, White Stripes, The Kills, The Libertines, The Vines ou The Hives.

Mas nem todos os desdenharam, tendo alguns apoiado o trabalho do quinteto, acreditando indubitavelmente que havia por ali uma genialidade em potência que não fora reconhecida pela maioria. É neste contexto que surge Chris Cunningham, um dos maiores nomes na produção de vídeos musicais, sobejamente (re)conhecido pelo seu genial trabalho com Aphex Twin ou Portishead, e que foi  criador e realizador do aterrador vídeo para o tema “Sheena is a Parasite” (reminiscente de “Sheena is a Punk Rocker” dos Ramones) e um dos responsáveis por  um (improvável) momento alto na carreira de uma banda que naquela altura lutava pelo seu lugar na cena musical. Terá começado aqui a ascensão dos The Horrors…

Dois anos na estrada com concertos em nome próprio ou como banda de abertura de consagrados como Nine Inch Nails (Trent Reznor é outro dos assumidos fãs) e após um natural amadurecimento musical surge “Primary Colours”, lançado em 21 de Abril, e que, contra todas as expectativas, recolheu uma avalanche de elogios por parte da generalidade da crítica especializada a que não será alheia a diferença qualitativa evidente entre este e o trabalho de estreia.

Produzido por Geoff Barrow (produtor e membro integrante dos Portishead), “Primary Colours” surpreende-nos com uma musicalidade inédita até então e que acaba por domar o som inicialmente visceral e agressivo da banda, e onde se mesclam melodias etéreas, guitarras “sujas” com efeitos e reverberação, órgãos/teclados tétricos, bateria com muito eco, um baixo cavernoso e a voz de Faris Rotter sempre em primeiro plano. O seu timbre vocal, inclusive, remete-nos para o de grandes vocalistas dos anos 80, como Ian McCulloch (Echo & The Bunnymen) e a dupla Jim e William Reid dos Jesus and Mary Chain. Músicas como “Three Decades”, “Who Can Say”, “New Ice Age” e “Sea Within A Sea” são vibrantes, autênticos temas de shoegaze dançável mas inseridos num contexto singularmente (pós) punk e com muitas notas dissonantes (kraut-rock) que chegam a inebriar os sentidos nas primeiras audições.

A tal genialidade em potência a que nos referimos no início acabou por florescer e os The Horrors afirmam-se como um dos nomes mais promissores da música popular para a próxima década, dando-nos a experimentar de forma vertiginosa uma nostalgia oitentista da qual ainda queremos sentir o gosto durante muito tempo. O rock afinal está bem vivo e recomenda-se.

Alinhamento:

  1. Mirror’s Image
  2. Three Decades
  3. Who Can Say?
  4. Do You Remember?
  5. New Ice Age
  6. Scarlet Fields
  7. I Only Think of You
  8. I Can’t Control Myself
  9. Primary Colours
  10. Sea Within a Sea

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