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The xx – xx

Ex(x)celente!

Vamos começar pelo fim, ou melhor, decidimos anunciar logo à partida, e sem subterfúgios, que “xx”, o álbum de estreia dos britânicos The xx, é um dos melhores álbuns deste ano.

Na sua estreia discográfica estes londrinos apresentam-nos a sua música enigmática, melancólica e sombria mas que ao mesmo tempo é sofisticada, atmosférica e sedutora, de difícil catalogação, à priori ou à posteriori, pela súmula das suas influências, que vão do Trip-Hop e Dubstep, até à (Dream?) Pop e ao Rock, passando ainda pelo R&B e Hip-Hop (na edição especial do álbum é incluída até uma versão de “Hot Like Fire” de Aaliyah) mas que são extraordinariamente estruturadas e que, beneficiando de uma lúcida e minimal produção indie, também da autoria da banda, repleta de subtilezas e pormenores de genuíno bom gosto, fazem sobressair o essencial de cada canção, apresentando-nos um som muito próprio e único onde, sem dúvida, o resultado final é muito superior à soma das partes. Um autêntico state of the art style crossover e que, arriscamos dizer, a certas alturas relembra o maravilhoso “Dummy”, primeiro trabalho dos conterrâneos Portishead.

De entre as dez faixas disponibilizadas destacamos a guitarra, com reminiscências de “Blue Hotel” de Chris Isaak, em “Infinity”, o descarnado e sempre em crescendo “Basic Space” e ainda “Islands” com envolventes e dolentes batidas de Deep House. Todos os temas possuem linhas de baixo graves (vide The Cure circa “The Forest”) e vocalizações, ora sobrepostas (com fantasmas de Tricky e Martina Topley-Bird da fase “Maxinquaye”) ora a solo (Hope Sandoval dos Mazzy Star vem à memória) que mais se assemelham a sensuais sussuros, numa obra coesa e em que o aperfeiçoamento de uma fórmula apresenta resultados surpreendentes…logo à primeira tentativa.

É extraordinária a capacidade de sintetização demonstrada pelos The xx, a exploração do silêncio e as reduzidas camadas sonoras dos seus temas, reveladores de uma maturidade anormal para uma banda que lança o seu primeiro registo e cujas idades variam entre os 19 e os 20 anos (quiçá terá sido esse o motivo que originou a sua nomenclatura) já que seria expectável que o álbum pudesse conter desiquilíbrios ou exageros dada a inexperiência do quarteto cujos elementos – Jamie Smith, Oliver Sim, Romy Madley Croft e Baria Qureshi – se conheceram na Elliott School em Putney, no Sul de Londres, frequentado já anteriormente por artistas como Burial, Four Tet, e pelo duo dos Hot Chip o que inesperadamente dotou esse liceu duma aura de “berço de ouro” na génese de projectos vanguardistas no panorama musical britânico do novo século.

A a(u)dição de “xx” é, portanto, altamente recomendada. Banda revelação do ano 2009.

Alinhamento:

  1. Intro
  2. VCR
  3. Crystalised
  4. Islands
  5. Heart Skips A Beat
  6. Fantasy
  7. Shelter
  8. Basic Space
  9. Infinity
  10. Night Time
  11. Stars

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