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Matias Aguayo – Ay Ay Ay

Chegados a Novembro é já habitual o surgimento das primeiras listas e/ou tabelas a hierarquizarem o(s) melhor(es) do ano e é durante essa azáfama que por vezes são ignorados, devido ao seu timing de lançamento, trabalhos de qualidade e que merecem ser destacados.

Caso sintomático é “Ay Ay Ay”, o surpreendente segundo álbum a solo do produtor chileno Matias Aguayo (“Are You Really Lost” foi lançado em 2005) editado pela reputada Kompakt e à qual o produtor chileno sempre esteve associado desde a sua mudança na década de noventa para Colónia, sede daquela editora na Alemanha.

Neste disco Matias Aguayo arriscou e conseguiu alcançar um cruzamento perfeito entre elementos electrónicos da (sua) escola alemã com ritmos e percussões exóticas da (sua) América Latina habilmente conjugados com vocalizações na língua nativa, cânticos tribais, sons bizarros e até estalidos com a língua que são samplados e depois sobrepostos em várias camadas sonoras.

Nestas canções a voz predomina e é trabalhada com uma precisão cirúrgica, como se se tratasse de um instrumento (aqui pensamos em Timbaland, em Rahzel e em Dj Koze), e superlativamente integrada numa estrutura pop que no seu conjunto resultam num álbum inovador e surpreendentemente coeso, dada a amálgama de referências, que não se estranha e facilmente se entranha e que é revelador do excelente momento criativo que atravessa este artista.

Uma verdadeira pérola em forma de disco que soa diferente de tudo aquilo que ouvimos este ano e cuja audição não poderíamos deixar de recomendar a todos os melómanos (e não só). Soberbo.

Alinhamento:

  1. Menta Latte
  2. Ritmo Tres
  3. Rollerskate
  4. Desde Rusia
  5. Ritmo Juarez
  6. Koro Koro
  7. Mucho Viento
  8. Ay Ay Ay
  9. Ay Shit – The Master
  10. Me Vuelco Loca
  11. Juanita

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