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O d’n'b de DJ David WS

Foi já há quase três semanas, mas isso pouco importa. O que importa é que ainda está na memória de muita gente. No dia 19 de Setembro, David WS esteve cá pela primeira vez, para uma actuação singular no Plano B, no Porto.
David WS é, no momento, um dos mais activos produtores da cena drum and bass brasileira. Na sua bagagem leva já alguns aclamados hits como “Talarico (Falador Passa Mal)”, “Dona Do Primeiro Andar” e “Subida Do Morro”.

O musicómetro esteve lá para reportar o evento e uma noite que parecia banal, como tantas outras na cidade do Porto, revelou-se bastante divertida e repleta de animação. Com as suas sonoridades jungle de origens latinas e africanas, David excedeu as expectativas numa noite que, chegada a hora de acabar, se revelou curta, até para o DJ.

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Aproveitamos também a simpatia e disponibilidade do jovem artista de São Paulo para fazer o que viria a ser a nossa primeiríssima entrevista. E aqui a têm, em exclusivo (deve ser lida com sotaque de telenovela).

Como foi a sua primeira vez em Portugal?
É difícil você tocar num lugar que você não conhece nem ouviu falar como é a cultura drum and bass.
Eu já esperava que fosse legal, mas foi bem melhor do que eu esperava. O público era um pessoal animado, pessoal que conhecia não só música brasileira mas também música electrónica e drum and bass. E o local e o sistema de som também eram bons, nada era ruim.

Quais são as maiores diferenças em relação ao público do Brasil?
No Brasil, tudo o que foi misturado com música brasileira já foi feito e acho que isso cansa um pouco. Aqui as coisas são mais frescas, ainda, e dá para explorar mais isso aqui em Portugal. Teve a primeira leva que foi o “Sambassim”, “Só tinha de ser com você”, depois veio a “LK” e agora veio essa leva de produtores novos, em que eu faço parte, e tem o Motta, Fábio Kura, etc. No Brasil o povo está num step acima no que toca a conhecimento da música drum and bass.

E em relação a curtir a música?
Até hoje, tanto na Argentina, Londres, lugares onde eu já conheci a cena, quando você toca para um público que conhece a música, é diferente porque você faz uma mixagem e a reacção é absurda, é rewind, paro a música na hora e o povo grita… Agora, para um público em geral, eles assimilam todas as músicas de uma outra maneira, não adversa, diferente, mas também muito boa.

Você falou de outros nomes do drum and bass brasileiro. Qual é a importância que nomes como o Marky, Patife ou Marcelinho Da Lua conferem ao trabalho desses novos produtores?
Assim como o Patife, o Marcelinho Da Lua difundiu o drum and bass brasileiro pelo mundo inteiro.
A gente tem trabalhos de linhas diferentes. Ele faz o eixo Rio de Janeiro, eu estou no eixo São Paulo. Mas é a mesma pegada. O Marcelinho Da Lua difunde a música fora do eixo Rio de Janeiro e fora do Brasil, que é o caso de Portugal. A galera conhece muita coisa aqui por causa dele.
E eu acho que o Patife é um ícone do drum and bass brasileiro. É uma pessoa que dispensa comentários. É uma pessoa que em qualquer lado do mundo vai ser bem dito. Ele é o cara que promove, que ajuda a cena da música nacional com mais frequência.
Ele tem o selo Innerground que lançou o DJ Roots, Bungle, etc., e felizmente a cena nacional tem crescido bastante.

E em relação aos seus projectos, o que está a ser cozinhado?
Eu estou terminando mais duas remisturas. Um com uma levada nacional, legal. Mas o importante é não focar só num estilo. Eu sempre falo que gosto de drum and bass em geral. Tem música pesada legal, musica leve legal, musica com mistura brasuca legal, swing, etc.
E eu estou focando agora noutras áreas que eu também gosto. Estou arriscando outras áreas, mais minimais, mas sem fugir da música electrónica.

Falando de outros tipo de música, quais são as suas maiores influências, o seu background musical?
A nível de produção musical, você acaba absorvendo tudo o que você ouve. Desde música tradicional, samba, salsa, etc. Você tem de absorver de tudo.
Fora disso eu ouço muito hip-hop, R&B, etc. Eu trabalho numa rádio e lá tem muita música nacional, muito MPB, muita black music, algum house

Em relação à rádio, onde é que isso começou? De onde veio o Warning Radio Show?
Eu comecei fazendo rádio quando eu tinha 14 anos. Meu primeiro programa de rádio foi numa rádio pirata em São Paulo e se chamava MegaMix. Era ao domingo, das 8h da manha ao meio-dia. Tinha uma audiência absurda, o telefone não parava de tocar. E aí você vai pegando o gosto.
E quando eu tinha 18 anos, recebi um convite do DNBonline para fazer um programa de rádio. E na verdade o Warning já passou das 200 edições, mas só começamos a gravar o podcast depois e vai agora na edição 77. Fora essas 77 edições, já estão gravadas mais 5 edições que incluem esta tour pela Europa, incluindo a noite de ontem, aqui no Porto.

E costumam receber muito feedback?
A gente recebe tanto comentário por e-mail, tanto no site. Tem sempre gente elogiando e criticando. É legal, porque a gente sente que está fazendo algo com retorno. E ajuda a gente é crescer.

E qual é que acha que poderá ser a importância desta primeira visita à Europa?
Essa tour na Europa, principalmente em Londres, foi mais para rever pessoas já conhecidas, como por exemplo o Stamina. Mas você acaba conhecendo gente nova. Para refortalecer contactos isso é bom.
No entanto a internet continua sendo o veículo mais importante, porque você acaba focando tudo num só canal. Você pega o e-mail de um cara e manda uma música para ele pela internet, não há mais aquela necessidade de estar em Londres. Graças à internet, você pode estar no Brasil e ainda assim difundir o seu trabalho. E isso é bom.

Para além de Portugal, quais são as próximas paragens aqui pelo velho continente?
Eu se pudesse, prolongava a minha estadia aqui e arrumaria outra data para tocar aqui em Portugal. Mas amanhã eu vou para Londres e depois a próxima paragem é na Itália, tocando com o Farrapo, em Roma. Depois uma festa da IRMA Records em Milão. Volto depois para Londres e em seguida de volta para o Brasil, onde Outubro já está fechado.

Sendo a primeira entrevista para o nosso site, gostaria de deixar alguma mensagem?
Trabalhar com cultura é difícil. E não é só no Brasil ou em Portugal, é no mundo inteiro. Não só porque há bastante concorrência, mas também porque não há muita valorização e reconhecimento. É um trabalho que exige dedicação, tempo, esforço.
E então, parabéns pelo trabalho e pela iniciativa. Se precisar de alguma coisa, a gente está aí.

2 pessoas opinaram sobre "O d’n'b de DJ David WS"

    Mt bom!! PARABENS PELA PRIMEIRISSIMA ENTREVISTA AQUI DO SITE!! FICO FELIZ POR TER FEITO PARTE DESSA GRANDE NOITE .

    CONTINUA O BOM TRABALHO!!
    ABRAÇO

  • David Ws é o cara que mais representa a cultura drum’n'bass do brasil, em seu programa ele valoriza muito a produção nacional e abre espaço para novos talentos mostrarem seu trabalho.
    Parabéns a todos

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